quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O POETA DA COR

Falar do professor e amigo Alberto Valença é voltar ao passado. É lembrar da Escola de Belas Artes da Bahia,  nos anos de 50, localizada na rua 28 de Setembro, onde hoje funciona um órgão público.Naquela época - recordo com certa emoção - era aluna do terceiro ano e, desta forma, qualificada a transpor as portas do "atelier", local para mim, cheio de mistério, onde o Mestre Valença ministrava a Cadeira de Modelo Vivo. Na minha fantasia, aquele salão, cheirando a tinta óleo e terebintina, parecia um santuário, um lugar sagrado, onde se falava baixo e se aprendia a descobrir o caminho das cores e mais do que tudo, a perceber a dança das luzes que entravam pela claraboia  O Mestre nos guiava por este mundo, através da sua voz mansa, mas firme e de um sorriso difícil de ser definido.Seu olhar, por detrás dos grossos aros dos seus óculos, refletia tonalidades que variavam do azul ao cinza, conforme a situação, como quando cometíamos o pecado de não obedecer à ordem correta de colocar as tintas na palheta. Essa diversidade de cromatismo repetia-se nas suas obras impressionistas. Devo a você, Mestre, por ter despertado e refinado, com seus ensinamentos, a minha 
natural sensibilidade de artista.
Acredito que a sua morada, hoje, deve ser a mais colorida estrela, onde você continua pintando céus, praias e paisagens.  
Jayrth Moreira
Jim Waren - Escada ao Infinito

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